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Fernando Lima reiterou em Junho de 2013 que a GALILEI (dita ex-SLN) não tinha ainda consolidado a contabilidade das 75 offshore que o grupo continua a deter, pelo que a GALILEI não poderia assumir os prejuízos, seja, não poderia responder pelos créditos concedidos pelo ex-BPN à ex-SLN, que como é frequentemente alegado constituirão a maioria mais do que substancial do denominado ‘’buraco’’ BPN" ou seja do valor que o Estado vem lançando em défice público como passivo não cobrado mas activo a cobrar, transmitindo a ideia de que o assumir do valor em défice público resultará um dia em confortáveis mais valias.

 

Fernando Lima tem insistido durante a última metade do ano de 2013 em que, se o Estado insiste em que a GALILEI tem que assumir os prejuízos e insiste na cobrança da coima de quatro milhões de Euros que a GALILEI foi condenada a pagar ao Banco de Portugal, só lhe restará declarar a insolvência ou despedir mil e quinhentos trabalhadores.

 

Nós bem sabemos onde toda esta gente, os grandes patrões do dinheiro e o Estado que os acolhe, aprendeu. Este tipo de chantagem é visivelmente da mesma espécie da chantagem do governo, que ameaça despedir os investidores se o Tribunal Constitucional não ceder.

 

Seja, Fernando Lima, Presidente da Administração que devia ter visto todo o seu património arrolado logo em 2008, quando da nacionalização do BPN, faz a mais torpe chantagem com o Estado.

‘’Se formos obrigados a assumir os prejuízos, declaramos a insolvência ou despedimos mil e quinhentos trabalhadores’’.

 

O Estado, todavia, através da PARVALOREM e da Ministra das Finanças, vai anunciando um panorama exultante. Já praticamente firmou um acordo com a GALILEI para liquidar em horizonte de médio/curto prazo as dívidas, cuja reestruturação está negociada, prepara-se para vender uma colecção de oitenta pinturas de Joan Miro em Fevereiro, vai tudo de vento em popa.

 

Todavia, a GALILEI vai reforçando a perspectiva da sua análise da questão. A maioria das pinturas não pertence nem ao Estado nem à GALILEI. Pertence a cerca de dezassete offshore cujos administradores estão sem paradeiro e não são contactáveis.

 

De facto, ainda ninguém quis provar ou comprovar o paradeiro de tais offshore, de setenta e cinco, aquelas cuja contabilidade Fernando Lima não consegue consolidar. Ao abrigo de várias cláusulas de confidencialidade favoráveis aos banqueiros, recusa-se mesmo a prestar informação, quer ao Banco de Portugal quer aos tribunais.

 

Seja, mesmo que as pinturas de Miro tivessem paradeiro e dando por certo que foram recolhidas em 2008 na sede do BPN e transportadas para um armazém secreto da sede da CULTURGEST/CGD, mobilizando várias camionetas (espanto!), nem as offshore nem os administradores delas deixaram rasto.

 

A situação parece-me de risco, quando em Fevereiro a leiloeira Christie’s tiver que apresentar os quadros ‘’à vista’’, se quiser saber quem tinha, antes de 2008, garantido a genuinidade das pinturas e o valor porque haviam sido dados como garantia e adquiridos pelas offshore em causa.

Um afamado administrador da GALILEI já tentou deitar água na fervura, garantindo que as pinturas são genuínas, vêm acompanhadas de certificados de genuinidade, mas são ‘’fracotas’’. O que será uma pintura ‘’fracota’’ de Miro? Algo em que o mercado ainda não ponderou.

 

Mas o que é mesmo grave é saber o que pensa fazer o Estado, se a GALILEI se recusar em última instância, a responder pelos riscos e a consolidar a contabilidade das suas extensões offshore. Que fazer então? Como vai o Estado resgatar cerca de seis mil milhões ao défice público?

 

Compreenderam o que é o segundo resgate da dívida soberana?

 

A GALILEI detém ainda uma posição preponderante no SIRESP. Não seria o caso de o Estado proceder já à captura da posição da GALILEI no SIRESP? Que, no fundo, ou é financiamento do Estado ou crédito com o aval do Estado?

 

Os mirós que se danem! Alguém acredita nos mirós?

 

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