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Eu duvido, com toda a legitimidade, que algum arqueólogo português tenha alguma vez visto ou tocado nos objectos que compõem a colecção ‘’egípcia’’ adquirida pelo BPN, a não ser através do elenco fotográfico publicado pelo Correio da Manhã ou através da documentação que entreguei em mão ao Presidente do IGESPAR, João Pedro Ribeiro e ao Director do IPMC. Excluindo um arqueólogo que me acompanhou à sede do BPN ainda em 2006 e que os pôde observar durante cerca de hora e meia.

 

Mas dizem, disseram-me a mim repetidamente, que foi encarregue uma comissão constituída por três arqueólogos de redigir um parecer sobre o assunto.

É possível que essa comissão conheça objectos similares que foram adquiridos por outras entidades. Mas aqueles, mantenho a minha convicção de que nunca os viram, nem lhes tocaram. É de resto insólito que se desconheça o seu paradeiro, sendo até de supor legitimamente que já deviam ter sido apresentados publicamente, para que todos os arqueólogos e portugueses os vissem. E fizessem o seu juízo. Ou manifestassem a sua opinião.

 

Quando digo que estou convicto de que ninguém os viu é porque, conhecendo-os eu até ao ínfimo detalhe, fico surpreendido com a forma como todos a eles se referem. E porque seria natural que os arqueólogos, que tanta vez me procuraram para ouvir a minha opinião, sempre informal, porque lhes convinha, não se dirijam ao Manuel para comentar o assunto.

 

Não posso senão deduzir que não o podem fazer porque manifestariam desde logo, explicitamente, que não conhecem os objectos.

Todos sabem que eu sou um sujeito aberto, manifesto a minha opinião e ouço os outros. E sempre disse sem hesitação que gostaria que me fosse manifesta uma opinião fundamentada que me levasse a concluir que me equivocara.

 

Vou narrar brevemente um episódio.

 

No ano de 2009, penso, uma técnica de conservação e restauro das mais reputadas que temos entre nós comentava comigo, informalmente, dados de caracterização metalométrica dos diversos componentes do revestimento em lâmina de cobre repuxada e dourada do túmulo do Infante Dom Afonso, jacente na Catedral de Braga. E manifestava-me a sua surpresa porque, face aos resultados que me mostrava, tinha que deduzir que não existia compatibilidade cronológica nem material entre as placas que revestem as ilhargas da arca tumular e o resto da composição.

Observados os dados e de acordo com ela, propus uma explicação.

As placas que revestem as ilhargas do túmulo de Dom Afonso podem ter sido recuperadas do escrino do Conde Dom Henrique, que acabara de ser trasladado de Astorga para Braga. Por invocação da continuidade dinástica entre a Casa de Aviz e a da Borgonha, a recuperação fazia todo o sentido. Para mais, a iconografia, uma sequência narrativa que invoca o mito de Jasão e da captura do tosão de ouro é tópico corrente na heráldica borgonhesa, desde remotas eras. É pois provável que o túmulo tenha sido encomendado na Borgonha, pela tia do Infante, naquele material, para acolher os restos do escrino do Conde Dom Henrique.

 

Exposta assim a sugestão, uma semana depois a equipa responsável pelo restauro do túmulo no Instituto Português de Conservação e Restauro, pediu-me para participar numa reunião para debater o assunto. Assim fiz e debatemos o assunto durante uma manhã após fundamentar a minha sugestão.

E nunca mais me disseram nada.

 

Li com toda a atenção todas as publicações editadas no contexto do restauro. E estou hoje mais convicto de que as placas que revestem as ilhargas da arca tumular do Infante Dom Afonso de Portugal, na Sé de Braga, são do Século XI/XII e, sem uma justificação, absolutamente dissonantes do resto da composição.

 

Que interesse tem este episódio no contexto do assunto sobre que estou a discorrer?

É que ele é posterior aos rumores sussurrantes que começavam a correr em torno do episódio BPN.

Espero que me entendam.

 

O que quero dizer é que os senhores arqueólogos só conseguem continuar a pronunciar-se, da forma como o têm feito, sobre a colecção ‘’egípcia’’ se o Manuel de Castro Nunes for encarcerado na sua condição de poeta.

 

E será com estes mesmos pressupostos que as entidades tutelares do património portuguesas e o Gabinete Técnico do Museu do Prado continuarão a ‘’rebater’’ uma pintura de Velázquez.

 

Porque, por detrás dos senhores arqueólogos, como de tudo, estão sempre os interesses e o sussurro dos grandes operadores de mercado.

E é isso que vamos demonstrar.

 

Ora, os senhores arqueólogos abusaram, no tempo e na forma, na sua insistência de quererem fazer do Manuel de Castro Nunes o bode expiatório do seu mal estar. E eu alertei-os para que não era necessário tanto.

 

Ficarão surpreendidos se o Manuel de Castro Nunes vier agora resgatar a sua reputação? Aquela reputação de que tantas vezes se serviram?

 

 

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