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Escrevo hoje mais uma nota e talvez seja a última.

A verdade é que, após tão claramente denunciados os passos da conjura, este blog leva mais de mil leituras, em três semanas. Foi divulgado em vários fóruns frequentados por milhares de leitores. Mas ninguém responde, ninguém contesta.

Dir-se-ia que o silêncio é consentimentos. Ingenuidade. O silêncio é a forma de, não tendo como contestar, não consentir, usando os meios conspirativos que todos conhecemos para prosseguir triunfalmente sem olhar a meios para atingir fins.

Ninguém pense que a mim não me doeu chegar ao ponto de expor publicamente assuntos que sempre tentei debater com os arqueólogos. E de expor os nomes de colegas de trabalho e não só. Espero que entendam que não tive outra alternativa. E o silêncio dos visados é a prova.

Talvez venham a simular que nunca leram o que aqui ficou, para continuarem a, quando lhes interessar, falar da ‘’colecção egípcia’’ do BPN.

Mas aqui fica para memória futura.

Vou pois dar aos senhores arqueólogos uma folga. Para poderem alegar e defender-se.

 

Volto pois ao BPN, ‘’stricto sensu’’.

 

Pouca relevância foi dada, a partir de uma dada altura, no essencial dois meses, se tanto, após a nacionalização formal do BPN, a um episódio que foi interpretado, na altura, como a causa próxima da nacionalização.


Em Novembro de 2008 divulga-se a notícia de que o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social levantara quinhentos milhões de Euros da conta de oitocentos milhões que tinha aberta desde 1999 no BPN.


Estes dados tornaram-se depois contraditórios e, por consentimento entre as partes, que eram já o governo e a CGD, fixaram-se os montantes em quinhentos milhões para o total do depósito e de trezentos milhões para o levantamento. Sendo também de notar que as informações prestadas pelo IGFSS e pelo Ministro da Segurança Social nunca foram claras acerca do paradeiro dos restantes duzentos milhões.


Este episódio pareceria apenas mais um daqueles a que nos habituámos e que caracterizam a falta de escrúpulos de banqueiros e governantes.


Mas o facto é que desde logo muitos notaram, inclusivamente Cadilhe, que esse levantamento foi o garrote utilizado pelo estado para lançar o assalto ao BPN, que Cadilhe alegava que, se não fosse esse golpe traiçoeiro, teria sobrevivido com um esperado reforço do capital social pelos accionistas.


Todos sabiam que o BPN não dispunha de liquidez e nunca dispusera. O BPN era um banco de apoio ao investimento para cobrir as actividades das empresas do grupo SLN, no qual estava integrado. O seu papel era ir ao mercado buscar dinheiro para financiar a SLN. Este procedimento não é de todo, a meu ver legal, mas a própria supervisão deixou passar durante duas décadas.


Para desempenhar o seu papel, o BPN teria que manter em caixa um valor mínimo que suportasse a confiança do mercado a quem solicitava os créditos que transferia para a SLN.


Era, no fundamental, o valor dos depósitos dos seus clientes que garantia ao BPN a manutenção da caixa na linha de água.


Com o depósito de oitocentos milhões de Euros do IGFSS, o estado convertia-se no maior depositante do BPN. O estado sabia-o. Alimentou o BPN enquanto lhe interessou.


Devemos notar que Cadilhe estimou em oitocentos milhões de Euros o valor do ‘’buraco’’ do BPN em Agosto de 2008, quando, de resto, propôs que a venda de uns ‘’activos tóxicos’’ sanearia o problema.


Cadilhe é um gestor competente, pensamos, sem nos referirmos a juízos de idoneidade. E Cadilhe sabia que, libertando-se da tutela sempre pendente sobre a cabeça do BPN de um depósito em caixa de oitocentos mil Euros, poderia relançar um itinerário de reestruturação do banco.


O destino do BPN estava, como sempre esteve, nas mãos do estado. A própria SLN se tornara viável através da concessão de vários programas de investimento estrutural do estado, como o SIRESP.


Quando o governo de Sócrates decidiu que o BPN deveria deixar de ser o banco do estado dissimulado e devia reforçar o papel da Caixa Geral de Depósitos, deu o golpe de Misericórdia no BPN, procedendo ao levantamento de quinhentos milhões de Euros, o que deixava o BPN drasticamente sem liquidez.


Já aqui notámos que um dos factores mais curiosos da trapalhada do BPN é o de os valores andarem sempre em paridade. A primeira paridade foi a da estimativa de Cadilhe com o valor do depósito do IGFSS.

Até que as paridades se tornam óbvias, quando respeitam ao crescimento contínuo das estimativas do ‘’buraco’’, com o crescimento contínuo do deficit do estado. As estimativas do ‘’buraco’’ do BPN já foram cautelarmente calculadas para dar cobertura às próximas estimativas do deficit, mais de seis mil milhões de Euros.


Vou propor um cenário virtual. Se, por acaso, não se desse o caso de alguém se aperceber do levantamento de quinhentos mil milhões de Euros ocorrido em Agosto mas revelado em Novembro de 2008 e a administração da CGD entrasse em funções sem que o episódio fosse revelado, o mais natural seria que o BPN perdesse quinhentos milhões do seu suporte de caixa, o IGFSS perdesse quinhentos milhões e alguém os ganhasse.


Mas o facto é que ainda está por saber onde perdeu o Fundo de Garantia da Segurança Social, ou da Caixa Geral de Pensões mil e quinhentos milhões de Euros em 2011, ou contabilizados em 2011.


Como ninguém pergunta porque razão o BPN subsiste através das múltiplas empresas e parcerias criadas para venderem os seus ‘’activos’’, que continuam a circular no mercado em carrossel.

Como ninguém pergunta como subsiste a SLN com um crédito de quatro mil quinhentos Euros em dívida, que ninguém sabe já o que é e pensa que foi vendido ao BIC.

Como ninguém pergunta porque razão o montante do ‘’buraco’’ do BPN cresce em paridade com o deficit.


Se não partirmos daqui, nunca compreenderemos que o BPN é a crise. O sumário da crise. Nem compreendemos a paridade constante entre o ‘’buraco’’ BPN e o deficit.


É o BPN virtual que continua a financiar o estado e o enriquecimento da oligarquia financeira que o administra.


Vamos partir então deste episódio e tentar entender a sequência.






E deixemos em paz, por agora, os senhores arqueólogos, que também, eles, não encontram forma de dar resposta às questões que lhes foram colocadas.

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