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‘’Uma coisa é política. Outra sãos as questões de ética. Nas questões de ética devemos ser implacáveis,’’

(António José Seguro, a propósito das acções da SLN adquiridas por Rui Machete)

 

Lida esta declaração do líder da oposição que nacionalizou o BPN, penso que ficamos todos com as mãos atadas. O BPN é coisa de ética, ou coisa de política?

 

Eu fico sempre de boca aberta quando me confronto com estas notícias. A ideia com que fico é a de que o terror infundido pela associação dos dispositivos judiciais e do poder político com os ‘’media’’ é tão grande, que todos têm já inibição para se defenderem. Sabem que a opinião pública já foi baralhada e tentam balbuciar.


Mas afinal o que andam as autoridades judiciais e os jornais a investigar?


A SLN ou o BPN? As contas dos pequenos accionistas, que, conduzidos pela publicidade dos produtos financeiros iam comprando umas acções aqui, outras acolá, muitas vezes orientados pela opinião, mais ou menos publicitária’’, divulgada pelos jornais e revistas de análise financeira?


A razão porque se interpela Rui Machete, ou Cavaco Silva, como accionistas da SLN é de ética ou de política?


Só conseguiremos responder a esta questão aplicando uma leitura de escala aos episódios.


O episódio mais mesquinho chamado à colação durante o decurso do inquérito parlamentar foi levantado pelo PCP a propósito de Jorge Pessoa e da aquisição do AUDI que lhe fora distribuído para serviço. Nunca se questionou sobra a razão de Jorge Pessoa transitar da administração de Oliveira e Costa para a administração CGD.

Esta escala de delito sempre foi apanágio do PCP.

 

Ora, Cavaco Silva terá adquirido em 2001 cerca de 105.000.00 Euros de acções da SLN, que vendeu em 2003 pelo dobro, ou pelo triplo. Na denúncia do caso intervém um ‘’inspector tributário’’, eufemismo para inspector das finanças, com um notório espírito persecutório.


Todos sabemos que em 2001 e 2003 muitos pequenos accionistas beneficiaram da guerrilha entre os grandes accionistas do BCP, ganhando pequenas fortunas especulando com a instabilidade do valor das acções, em alta contínua até valores absurdas que foram, afinal, um itinerário muito mais drástico do que o do BPN, quando se tratou da queda.


O episódio que envolve Rui Machete parece ainda mais mesquinho.

 

É de política ou é de ética a razão que move António José Seguro para ir a reboque do Bloco de Esquerda espetar-se em Rui Machete?


Eu também não gosto politicamente nem de Cavaco Silva nem de Rui Machete. Mas não consigo fazer essa distinção. Agora chamo a ética. Adiante, quando a questão for de política, chamo a política.

 

No fundo, o que nos parece óbvio é que até agora o pacote das indignações e dos temas que as alimentam é apenas a expressão do espírito revanchista e do mau carácter dos portugueses, que nem pensam duas vezes quando têm alguém estirado no chão para levar duas pauladas. Os administradores do assunto e regentes da orquestra vão condicionando muito bem a informação, deitando lenha ali e apagando o fogo acolá.

 

Mas que raio! Ninguém será capaz de aplicar uma escala? Ninguém conseguirá medir a distância que vai de duzentos mil euros para quatro mil e quinhentos mil? Ninguém conseguirá distinguir a componente política do caso BPN da sua componente ética? E da sua componente financeira?

 

A Administração do BPN de Oliveira e Costa caiu em 2008 porque Oliveira e Costa perdera o controlo da SLN e era a SLN quem já mandava e vigiava Oliveira e Costa através de Francisco Sanches.


Como foi possível que o BPN falisse sem que a SLN fosse arrastada ou à frente? Como foi possível a Oliveira e Costa cometer tantos crimes e burlas sem a cumplicidade da SLN e dos seus barões? Que se passou com administradores como Luís Caprichoso? Quando nos dão a ler um relatório rigoroso do exercício da administração do BPN pela CGD? Quando nos mostram uma contabilidade rigorosa e detalhada do que tem sido feito pelas ‘’sociedades veículo’’, como a Parvalorem?


Porque razão, em vez disso, nos servem a maionnese das acções de Cavaco e de Machete?

Enquanto houver ilusões para vender, ninguém pergunta aos senhores arqueólogos, quais são as empresas que estão a fazer o acompanhamento arqueológico de obra na barragem do Tua. 


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