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Constatamos, defraudados, que a insistência - hipócrita na maioria dos casos - no tópico de que a colecção Miró devia permanecer em Portugal e não devia ser alienada pelo Estado português, acabou por plasmar todas as questões que durante meses fomos aqui levantando em torno de um debate alucinado.

Reiteramos a nossa posição de que essa reorientação extravagante do assunto só impede a tomada de consciência de que o problema que levantávamos era de natureza abrangente e respeitava a interrogar com veemência o que tinha desabado sobre os portugueses com a nacionalização do BPN.

Com que ficaram os portugueses, para lá dos resultados negativos de um processo de especulação financeira e de manipulação de bens e valores durante todo o período que decorreu desde a nacionalização? Que resta aos portugueses senão o défice público?

A questão crucial que colocávamos sempre foi:

 

As pinturas de Miró nunca estiveram reunidas em Portugal. Nunca pertenceram ao BPN. Muito menos pertenceram aos portugueses.

 

Não foi a nossa intervenção, nem a dos peticionários, nem a dos grupos parlamentares da oposição que impediram a realização do leilão da Christie’s. Questionaremos hoje muito assertivamente o papel da Christie’s nesta montagem, mas a verdade é que o leilão, a realizar-se, seria uma montagem cujo perfil está ainda por apurar. Mas os resultados do leilão não reverteriam nunca integralmente para o Estado português, que não é titular da propriedade das obras.

 

A Christie’s suspendeu o leilão de acordo com interesses mútuos, da leiloeira e do Estado português, para não se tornar notório o logro que subjazia ao procedimento.

Se não fosse assim, porque razão nós, desde o primeiro momento, quando em Dezembro de 2013 o leilão foi anunciado e os catálogos publicados, insistimos, com toda a segurança, no vaticínio de que o leilão não se realizaria?

Nós não somos bruxos.

A questão Miró era apenas um teste à consistência das mentiras com que continuam a enganar os portugueses, impedindo-os de tomarem consciência da verdadeira dimensão da conspiração BPN.

 

Enquanto os apoiantes da petição não tomarem consciência disto, a opinião pública continuará manipulada pelos autores da conspiração que alegam motivos de urgência drástica para venderem a colecção. Sendo certo que, a propósito da colecção Miró, apenas difundem uma orientação que transitará como justificação para dar suporte a outras circunstâncias em que a equação dinheiro ou cultura, dinheiro ou bem estar, dinheiro ou justiça social se vier a colocar.

 

Vamos reunir esforços para que a colecção Miró e outros bens entrem na propriedade do Estado português, obrigando o Estado a accionar os procedimentos de imediata execução dos valores em débito ao BPN por parte da GALILEI/SLN e das sociedades por identificar que serviram para encobrir um tenebroso itinerário de enriquecimento a coberto do défice público.

 

Mas para tal temos que denunciar, até às últimas consequências, toda a mentira.

 

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