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Excelentíssimo Senhor Secretário de Estado da Cultura.

 

É Vossa Excelência, por mérito do cargo público que ocupa e pela força da circunstância, um sujeito incomensuravelmente mais importante do que eu, que tento circunscrever-me a ocupar, circunscritamente, o cargo da minha consciência e o dos deveres que a minha cultura de cidadão, incomensuravelmente também muito mais circunscrita e precária do que a de Vossa Excelência, me impõe.

Tem sido no exercício destes cargos e dos meus direitos de cidadão da República Portuguesa que me tenho dirigido a Vossa Excelência, nomeadamente através das exposições que lhe enderecei em 10 de Setembro de 2013, 2 de Outubro de 2013 e 21 de Janeiro de 2014, que abri à leitura pública, o que de certo não terá sido de seu agrado, mas que, para usar agora de toda a franqueza, era uma medida cautelar na presunção do seu silêncio. Com a difusão pública garantia que, caso Vossa Excelência não as viesse a ler, ou entendesse não lhes dar resposta, ficaria no domínio público o registo de que eu as escrevera.

Verifico então que ainda estou em meu perfeito juízo e continuo a antecipar com alguma precisão de cálculo as reacções dos meus circunstantes.

Circunstantes? Bem, uma forma de dizer, pois circunstância, como se pode deduzir do suposto, não existe alguma entre mim e Vossa Excelência. Eu sou um mero cidadão, Vossa Excelência um secretário de Estado. E, de facto, não resta já circunstância alguma entre um cidadão e um secretário de Estado.

Alego todavia que, ao que me parece, em nossa circunstância, é muito mais precário o seu cargo e condição de Secretário de Estado do que o meu cargo e encargo de cidadão.

E posto isto, Excelentíssimo Senhor, entende que o seu cargo de Secretário de Estado o dispensa de responder ou, tão só, de notificar a recepção das minhas três exposições?

 

E é tudo, para já. Sabendo todavia que não vou contar, de novo, com a atenção de Vossa Excelência, publicarei esta como as anteriores, para memória futura.

 

Com os meus cumprimentos.

Manuel de Castro Nunes

 

 

 

 

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