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Em 10 de Outubro de 2013, o Diário Económico publicou uma notícia alarmante. Ao que tinha apurado, o Estado português preparava-se para vender o BPN Crédito em uma ou duas semanas.

 

Ao avançar com a notícia, o Estado estava de novo a criar um facto mediático preocupante. Ninguém sabe o que é, com rigor o BPN Crédito. Sabia-se tão só que o BPN Crédito era a instituição que administrava o ‘’crédito ao consumo’’ do BPN, à partida, aquele que fora concedido pelo BPN antes da nacionalização e o que o BPN continuava a conceder, nunca se entendeu a que propósito e em que moldes.

 

Afinal, a embrulhada tornava-se de dia para dia mais caótica. O BPN fora, como instituição bancária, vendida ao BIC, pelo que se supunha que o BPN Crédito era apenas uma denominação de conveniência de uma instituição cujo propósito era a recuperação de créditos em incumprimento ou por recuperar concedidos pelo ex-BPN.

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Afinal não era assim. O BPN Crédito era outro banco, continuava a realizar, não se entende com que estatuto, novas operações bancárias de raiz, concedendo novos créditos.

 

Porquê e para quê? Se tivermos em conta o propósito com que o Estado português anunciou e estabeleceu o perfil das instituições financeiras criadas para administrar os créditos concedidos antes da nacionalização e proceder à sua recuperação, quer pela renegociação, quer pela execução de garantias, ninguém esperaria que delas fizesse parte uma instituição habilitada a prosseguir a actividade bancária, concedendo créditos. Todos estavam convencidos de que essa ‘’parte’’ tinha sido vendida ao BIC.

 

Pois estavam todos enganados. O BPN continuava a existir. Como veremos, replicando procedimentos à Oliveira e Costa.

O real perfil do BPN Crédito só agora se vislumbra, na altura em que se anuncia a sua venda definitiva, passadas muitas mais semanas do que as calculadas em Outubro do ano passado. Vislumbra-se sobretudo, como já se tornou hábito, mais no que fica mais encoberto do que no que se descobre.

 

Bem, nós não conseguimos, de todo, entender o que andam a fazer os nossos deputados, as bancadas parlamentares na AR e as demais entidade que tinham a obrigação de fiscalizar, supervisionar e interpelar estas novas entidades financeiras que o Estado criou para branquear o ‘’caso BPN’’. Que raio de conluios envolverão toda a gente, ou que raio de agenda política oportunista impede todos de acompanharem com rigor o ‘’caso’’ que esconde e encobre a parte mais substancial do descalabro na administração da ‘’coisa pública’’?

 

Que raio de negócios são estes em que o Estado não se coíbe de anunciar que vai ter de novo prejuízo? Que reais prejuízos tentará o Estado, de novo, encobrir com este tipo de operações?

 

É preocupante saber que o BPN Crédito vai ser vendido, mas antes disso ainda concederá um crédito às entidades privadas que o vão comprar. Mas a responsabilidade de tal crédito não transitará com o BPN Crédito para os compradores, ficará a cargo do Estado.

 

Bem, mas o mais surpreendente é que, antes de vender o BPN Crédito, o Estado terá que emitir um perdão ao crédito de que o BPN Crédito beneficiara por parte do BPN. Foi assim que se iniciou a carreira fulgurante de Oliveira e Costa, com um perdão fiscal.

Há coisas do arco da velha!

Como dissera já antes, vou tentar durante este fim de semana ver se entendo mais esta trapalhada. Enquanto vossas senhorias dormem.

 

Mas ainda tenho cá uma suspeita.

 

Porque razão vem esta novidade a lume, quando a colecção Miró está na boca de cena e à beira de entrar num leilão em Londres?

 

Será que a colecção Miró terá sido incorporada nos ‘’activos’’ do BPN Crédito?

 

Não colocamos esta questão levianamente. Porque sabemos que, até ter sido adquirida pela GESLUSA em 2006, a ‘’colecção egípcia’’ esteve, desde 2004, alojada na contabilidade do BPN Crédito, que concedera, através de uma engenharia financeira, um crédito ao vendedor, que funcionou como sinal no âmbito de um contrato de promessa de compra. E talvez o BPN Crédito tivesse depois concedido um crédito à GESLUSA para adquirir a ‘’colecção egípcia’’.

 

Ora, se a colecção Miró transitasse, como garantia de algum crédito concedido a uma sociedade espanhola e depois adquirido pela SLN, com o BPN Crédito para os respectivos compradores, estes poderiam, legitimamente, mandar suspender a venda.

 

Tudo a contento dos peticionários que exigem a suspensão, nomeadamente da ex-Ministra Canavilhas.

 

Aqui também há gato! 


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