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António José Saraiva, o Juiz Carlos Alexandre, o Procurador da República Jorge Rosário Teixeira, o Oliveira Costa, a Sociedade Lusa de Negócios e o Mário Machado.

 

António José Saraiva é um sujeito de inteligência superior. Só António José Saraiva conseguiria arrumar este assunto no espaço sumário de uma lauda, desmantelando toda a credibilidade que ainda pudesse ser alegada pela justiça. Para António José Saraiva a justiça não é independente e é altura de desmascarar os propósitos e intuitos políticos dos super magistrados.

O processo contra José Sócrates é uma vingança da Sociedade Lusa de Negócios, que nunca perdoou a nacionalização do BPN. Uma feliz e próspera convergência permitiu ainda que o ressentimento de Jardim Gonçalves e da sua equipa contenciosa possam agora tirar também vingança de Carlos Santos Ferreira.
Ao longo de uma breve lauda, AJS faz desfilar todos os envolvidos no pacto de solidariedade que se esconde por trás da matéria de ‘’justiça’’ alegada no processo que, para já, culminou na prisão de José Sócrates e de todos os culpados que suscitaram a raiva e o ódio do mais reacionário segmento da sociedade portuguesa. Entre os culpados e envolvidos nos crimes de José Sócrates, António José Saraiva arregimenta um Procurador Geral da República e um Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para nos alertar para que a justiça não é tão imune a corrupção quanto ultimamente se tem alegado. AJS alerta-nos para que não devemos depositar uma confiança cega na justiça e na sua independência relativamente ao poder político e à corrupção. Os dois ‘’consulados’’ de Sócrates são disso o mais acabado exemplo.
Devemos todavia ser cautelosos, porque os magistrados que a coligação actualmente no governo conseguir manipular ou corromper são muito mais sérios e honestos do que aqueles que foram manipulados e corrompidos por José Sócrates. São os depositários de um ardiloso dever mas irrevogável desígnio de resgatar a honra da pátria.
Pessoalmente, eu posso declarar, com toda a legitimidade, que me considero dispensado de qualquer preconceito ou inibição quando alego que António José Saraiva tem toda a razão, a prisão de José Sócrates é um ajuste de contas da direita mais reacionária que nunca perdoou a José Sócrates a nacionalização do BPN, a intervenção no BCP/Milenium e o alinhamento na guerra pelo controlo da comunicação social.
Eu fui, disso não tenho dúvidas, um dos mais consequentes adversários da orientação política de José Sócrates. Quando o governo de José Sócrates nacionalizou o BPN, eu alertei logo para que se tratava de uma manobra cujo alcance e propósitos eram inavaliáveis enquanto não fôssemos capazes de identificar os beneficiários, pois não tinha sentido nacionalizar o BPN sem tomar qualquer medida que colocasse o património da SLN sob uma medida cautelar inultrapassável, pois a SLN era a responsável pelo descalabro do BPN.
Não é o caso, aqui, de escrever um manifesto contra a política de José Sócrates. Mas de felicitar o AJS pela sua inteligência, pois pôs a nu os motivos que podem mover a justiça quando é de facto independente do poder político. Ou seja, quando assume por iniciativa própria e sem qualquer interferência do poder político, o combate sem tréguas aos maus, sem as limitações que o estado de direito impõe ao poder político, obrigando-o por imposições constitucionais a respeitar o politicamente correcto. E esse é o papel do segredo de justiça hoje em dia em Portugal, defender a ilegitimidade de direito mas legitimidade de honra dos procedimentos e diligências dos investigadores, de forma a que a coisa não pareça o que não é.
Vamos ver.
De acordo com a interpretação consecutivamente difundida pelo SOL e pelo Correio da Manhã, as investigações a José Sócrates iniciaram-se, ou organizaram-se em torno de tópicos concretos, quando o presidiário neo nazi Mário Machado apresentou ao Ministério Público uma denúncia relativa aos negócios alegadamente ilícitos da família de Sócrates, um tio e dois primos.
Parece nunca ter sido dado por provado ou sequer fundamentado que os negócios da família de Sócrates tenham em algum momento disfrutado do benefício de José Sócrates ou ‘’vice versa’’. Existe de resto uma fábula que sintetiza o estado de espírito que subjaz a essa forma de, na ausência de outros argumentos, transferir para o filho a culpa do pai ou daquele para este.
Também nunca foi provado que os negócios dos tios e primos de Sócrates fossem ilícitos. Só o seriam se, enquanto titular de um cargo público, José Sócrates tivesse beneficiado dos negócios ou os negócios tivessem beneficiado de José Sócrates.
À medida que os tópicos das suspeitas que os super magistrados têm revelado através da comunicação social se vão desmantelando, os super magistrados vão sussurrando uns disparates acerca do segredo de justiça, mas nunca desmentiram ou confirmaram qualquer informação confidencial difundida pela comunicação social, nem a sempre alegada fonte, o Ministério Público ou os investigadores. Se a justiça e os super magistrados saem desta história contaminados, é porque quiseram ser contaminados.


"Estava em casa, tocaram duas vezes à campainha. Quando abri a porta, vi um cobertor. Desenrolei-o e lá dentro estava a documentação. Se for chamado, será isto que direi na Polícia Judiciária." Esta é a forma como Mário Machado narra o episódio que lhe colocou nas mãos o indeclinável dever de revelar os negócios da família Pinto Monteiro. Um imperativo de consciência que lhe custou a liberdade condicional.
Lendo António José Saraiva e tudo o que o Correio da Manhã e o SOL têm trazido a lume acerca de José Sócrates e dos seus negócios, depois de tudo ponderado e conotado com este episódio, ficamos sem qualquer dúvida. Há um correio fantasma permanente entre Mário Machado, o CM, o SOL e o DCIAP, uma roda viva de trouxas repletas de documentos, de cá para lá e de lá para cá, um justiceiro que supre as dificuldades processuais dos magistrados.
Nunca houve violação de segredo algum de justiça. Porque o único segredo era este que António José Saraiva, em abono do bom nome da justiça, vem agora revelar.
Tudo partiu da iniciativa de um correio fantasma que se impôs o superior dever de fazer justiça à Sociedade Lusa de Negócios e a Oliveira e Costa, conduzindo ao patíbulo os verdadeiros ladrões.
De resto, a justiça continua a ser a justiça e a política continua a ser a política. O único elo de ligação entre uma e outra é o correio fantasma e a vigilância tutelar do jornal SOL.
Não fora a superior inteligência de António José Saraiva e a honra da justiça e dos super magistrados estaria irremediavelmente comprometida e tudo pareceria ser o que nunca foi.

Relacionados:

. Eu e José Sócrates. Nota explicativa.

Agora quem acusa sou eu

. Correio da Manhã: O Robin dos Bosques do Campus Justitiae

 

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1 comentário

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De judje a 11.12.2014 às 09:32

Constança Cunha e Sá não tem dúvidas que a detenção e consequente prisão preventiva do ex-primeiro-ministro José Sócrates vai, eventualmente, acabar por ser utilizada como arma na campanha eleitoral do próximo ano. 

No comentário da TVI24, a comentadora disse que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já deu provas que vai utilizar o caso a seu favor, ao voltar a falar numa proposta chumbada pelo Tribunal Constitucional sobre o enriquecimento ilícito, justamente na semana seguinte à detenção de Sócrates. 

«O Governo já tentou avançar com esta medida, foi chumbada por unanimidade pelo Tribunal Constitucional, a pedido do Presidente da República, e não deixa de ser curioso que Passos Coelho ache que chegou agora a altura de reavaliar essa medida, isto a propósito do caso Sócrates. No fundo, o que Passos Coelho está a dizer é que não havendo ainda esse crime, José Sócrates prefiguraria exatamente dentro desse crime». 

Cunha e Sá diz que esta não é a altura de falar da proposta, e que o primeiro-ministro ao falar nela, justamente agora, só prova que todo o distanciamento inicial é feito de um «verniz que se pode quebrar a qualquer momento». 

«Acho muito errado da parte do primeiro-ministro associar [a proposta contra o enriquecimento ilícito] ao caso Sócrates porque não deixa de ser uma sentença. Isto mostra (…) que este decoro inicial de todos os partidos de que ninguém vai usar a detenção de José Sócrates para fins políticos e eleitorais tem um verniz que se pode quebrar a qualquer momento. O primeiro-ministro ontem já o quebrou um bocadinho, e já tinha dito há uns tempos por várias vezes: “esta não é a altura”. A um ano das legislativas este caso dificilmente vai deixar de contaminar [a campanha eleitoral] (…) mais tarde ou mais cedo isto entrará na campanha», disse Cunha e Sá.

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